sábado, 1 de março de 2014

BA: PESSOAS SÃO COAGIDAS A FAZER CADASTRO NA FUNAI” ? REFLEXÕES SOBRE A TENDENCIOSA MATÉRIA DO JORNAL DA BAND – BANDEIRANTES E A VELHA HISTÓRIA DE CRIMINALIZAR O POVO TUPINAMBÁ

Postado em 28 fevereiro 2014.
Por Casé Angatu
A primeira consideração é que não vemos nenhum mal um veículo de comunicação assumir posição. Dizemos isto porque todo ponto de vista é um olhar parcial. Ou em outras palavras, a imparcialidade é uma impossibilidade humana. Mesmo a lei e a justiça tem sua parcialidade. Isto é, a lei é feita por homens para atender determinados interesses. Por exemplo, a defesa quase absoluta da grande propriedade privada rural feita pelas leis brasileiras.

O problema é que o Jornal da Band na matéria discutida neste texto e denominada: “BA: pessoas são coagidas a fazer cadastro na FUNAI”, bem como quase todos os veículos de comunicação, não assumi junto ao público sua parcialidade, como fazemos em nossos espaços na rede social virtual. Um bom exemplo é este nosso perfil que defende abertamente: a Demarcação Já do Território Tupinambá de Olivença (Ilhéus/Bahia) por sermos indígenas e acreditarmos na ancestralidade do Povo que reivindica seus direitos originários.

A Band, cujo nome inteiro diz muito sobre os que a constituem (Grupo Bandeirantes), tenta demonstrar que é imparcial em suas matérias e pontos de vista. Porém, neste caso particular em sua matéria jornalística joga a opinião pública contra o Povo Tupinambá e o processo de Demarcação de seu Território. O problema é que a mesma emissora não assumiu sua parcialidade como fazemos neste espaço. Esta é impressão que fica explicita na nossa leitura também parcial da citada matéria (veja o link da mesma no final deste texto).

Todo ponto de vista é uma semiologia ou semiótica sobre a realidade que se deseja retratar, como analisam Charles Peirce, Jacques Lacan, Slavoj Žižek, Noam Chomsky, Saussure, Michel Foucault, Darton, entre outros pensadores cujas linhas deste texto seriam poucas para denominá-los. Como bem analisou Hans-Georg Gadamer em seu livro “O Problema da Consciência Histórica” (FGV, 2006):

“Entendemos por consciência histórica o privilégio do homem moderno de ter plena consciência da historicidade de todo presente e da relatividade de toda opinião”

Aliás, uma discussão que já não é nova como alguns podem pensar. A semioticidade e/ou relatividade do olhar humano e de sua capacidade analítica já encontra respaldo nos filósofos pré-socráticos, isto sem considerarmos toda tradição filosófica e de sabedoria dos Povos Indígenas da Latinoamerica, Africanos, Aborígenes, Asiáticos, entre outros.

Diziam nossos ancestrais: “quem conta um conto aumenta um ponto”; “nem tudo é o que aparenta”; “nem tudo que reluz é ouro”; “acredito em tudo que vejo e no que não vejo também” …

Porém, os autores da matéria do Jornal da Band e os proprietários daquele veículo devem ter fugidos das aulas de semiótica/semiologia, filosofia, história e antropologia. Ou será que, talvez, buscam camuflar os interesses a que servem? Observem que não estamos afirmando e sim ponderando/indagando, algo que a matéria do referido jornal não faz.

Segundo o pensador francês Michel Foucault, oferecer conceitos, classificar e apresentar versões sobre as coisas, os homens e suas ações é uma forma de exercer poder. Todos nós fazemos isto, consciente ou inconscientemente, de acordo com interesses individuais e coletivos. Então perguntamos: porque não assumirmos nossas imparcialidades? Porque levarmos aos nossos leitores e/ou ouvintes à uma visão parcial como a única possível, como faz a matéria do Jornal da Band dissimulando sua ideologia e posição política?

O historiador Robert Darton contribui com nossa resposta e percepção ao analisar que “a classificação é, portanto, um exercício de poder” (DARTON, Robert. O grande massacre de gatos. Rio de Janeiro: Graal, 1986, p. 249).

O tempo todo a referida matéria denomina, adjetiva, classifica e generaliza a partir de uma única versão: a daqueles que são contrários à Demarcação do Território Tupinambá de Olivença.

Vejamos alguns trechos e nossas reflexões sobre os mesmos. Reafirmamos que são nossas e não as únicas possíveis; até porque não somos bandeirantes:

- Jornal da Band: “pessoas são coagidas a fazer cadastro na Funai”.
Perguntamos: o Jornal da Band ouviu todas as pessoas que se cadastraram? Que pessoas são estas? Mesmo existindo: formam a maioria?

- Jornal da Band: “Moradores eram recrutados para se inscreverem como se fossem índios para engrossar invasões de terra no sul da Bahia” e/ou “Centenas de moradores são coagidos a fazer cadastro na Funai (Fundação Nacional de Índios) como se fossem índios para engrossar invasões de terra no sul da Bahia.”
Questionamos: o Jornal da Band ouviu todos os moradores de Olivença cadastrados? Quais são estes moradores coagidos ao cadastramento? Mesmo existindo: formam a maioria? Os jornalistas contaram quantos eram para chegarem ao dado de centenas?

- Jornal da Band: “A área pretendida pela Funai fica numa região conhecida como Costa do Cacau e do Dendê. São terras ocupadas tradicionalmente há séculos por mestiços, descendentes de índios, brancos e negros que povoaram o Brasil desde os tempos do descobrimento.”
Analisamos: Será que os responsáveis pelo Jornal da Band leram a Constituição Brasileira e/ou ouviram falar da “Convenção n° 169 da Organização Internacional do Trabalho – OIT – Sobre Povos Indígenas e Tribais 07/06/1989”? Vale frisar que o Brasil é consignatário desta Convenção. Porém, caso os responsáveis pelo Jornal da Band não ouviram falar da mesma e/ou faltaram às aulas de antropologia e história irei ajuda-los. O texto da Convenção 169, entre outras dimensões, diz o seguinte:

“A auto identificação como indígena ou tribal deverá ser considerada um critério fundamental para a definição dos grupos aos quais se aplicam as disposições da presente Convenção.”

- Jornal da Band: “(…) mais de 100 propriedades já foram invadidas por grupos armados liderados por caciques que se dizem índios Tupinambá”; “Para aumentar o exército de invasores, os caciques fora da lei forjam cadastros de não índios.”
Discutimos: Nestas duas frases o Jornal da Band abusa então das classificações: “propriedades invadidas”; “caciques que se dizem índios Tupinambá”; “exército de invasores”; “cadastro de não índios”. Percebe-se que em nenhum momento existe a perspectiva de uma análise sobre estas denominações ou sua contextualização. Caso os jornalista do Jornal da Band morassem em Olivença e região iriam perceber (se é que não perceberam) que as mesmas são usualmente aplicadas pelos ruralistas e os contrários à demarcação. Talvez a leitura do Relatório Demarcatório da FUNAI de 2009 seria uma ótima indicação para os atores da matéria. Porém, pensamos que não adiantaria porque o filtro ideológico do jornal é claramente contra a Demarcação Territorial e para isto precisa desqualificar os indígenas Tupinambá.

- Jornal da Band: “(…) mais de 100 propriedades já foram invadidas por grupos armados liderados por caciques”; “Os conflitos aumentaram desde que uma base da Polícia Federal foi atacada no início do ano. Os índios são apontados como autores dos disparos. No início do mês, um agricultor foi morto a tiros e teve a orelha cortada. Quatro suspeitos são procurados, mas até agora ninguém foi preso.”

Pensamos: Por fim, a matéria criminaliza o Povo Tupinambá sem provas, reproduzindo as versões que estão presentes em parte da mídia local e criminal, bem como nas falas dos proprietários. Ou seja, o Jornal da Band faz acusações graves sem demonstrar provas. Perguntamos: quais as provas para estas acusações? Os caso citados foram apurados? Isto é legal?

O próprio MST, Movimento que luta pelos direitos dos trabalhadores rurais, ao tratar da morte do trabalhador rural citado na matéria em seu Manifesto de Apoio à Luta do Povo Tupinambá de 13/02/2014 salienta:

“Por estas razões o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – MST REPUDIA A TENTATIVA DE CRIMINALIZAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS E EXIGE A APURAÇÃO DOS FATOS QUE ENVOLVEM A MORTE DO AGRICULTOR ASSASSINADO!

- PELA UNIÃO DOS TRABALHADORES RURAIS E POVOS INDÍGENAS!

- PELA IMEDIATA OFICIALIZAÇÃO DA DEMARCAÇÃO DO TERRITÓRIO INDÍGENA TUPINAMBÁ DE OLIVENÇA PELO GOVERNO FEDERAL”

Reparem também que em nenhum momento a matéria do Jornal da Band cita: os quatro indígenas mortos somente neste ano (2014); os carros incendiados da SESAI; as ameaças contra a comunidade indígena que até suspenderam as aula na Escola Indígena Tupinambá; a ocupação do exército e força de segurança nacional voltada somente para conter o Povo Indígena; as “reintegrações” de posse violentas; os quebra-quebras promovidos pelos ruralistas em Buerarema.

Perguntamos mais uma vez: será que a forma como o texto do Jornal da Band foi realizado não é uma contribuição à criminalização que vivem os Tupinambá em Olivença? O texto não contribui com a violência e descriminação contra a Comunidade Indígena local? Isto é legal? Caso sim novamente indagamos: porque então não assumem sua parcialidade? Respondemos: sempre a partir de nossa ótica, acreditamos que o jornal publicou a matéria para ajudar na (des)informação da opinião pública.

Lembramos então de algo semelhante também descrevendo os Tupinambá:

“(…) são os mais cruéis e desumanos de todos os povos americanos, não passando de uma canalha (…) Os mais dignos dentre eles não são merecedores de nenhuma confiança”. Apesar das semelhanças com o texto do Jornal da Band estes trechos foram escritos por André Thévet, frade fransciscano francês, que esteve no Brasil entre 1555-1556.

Os Tupinambá de Olivença vivenciaram e ainda vivenciam um histórico processo de criminalização e perseguições que os fizeram, por vezes, calarem-se. Quando assumiam-se como Índios e lutavam por seus direitos foram brutalmente perseguidos a exemplo do Índio Caboclo Marcelino – preso por duas vezes entre as décadas de 1930-1940. Porém, os Índios de Olivença nunca deixaram de serem Índios. A diferença é: quando reivindicam seus direitos originários ao Território Ancestral são criminalizados e preconceituados.

O que sabemos, como o próprio texto do Jornal da Band em suas entrelinhas admite, é que as terras de Olivença são “ocupadas tradicionalmente há séculos” por seus habitantes. Muitos moradores que, em grande parte, foram coagidas a se calarem em sua ancestralidade indígenas através da histórica violência.

Por isto ponderamos: não façam como os responsáveis pela matéria do Jornal da Band, leiam: o Relatório de Demarcação da FUNAI de 2009; a Convenção 169 da OIT; os artigos da Constituição Brasileira relativos aos Povos Indígenas; procurem a literatura antropológica e histórica sobre Povos Originários; leiam o Livro de Susana de Matos Veiga – “Terra Calada: os Tupinambá na Mata Atlântica do Sul da Bahia”; o livro “Índios na Visão dos Índios – Memória”; entre outros estudos valiosos, comprometidos e sérios sobre Olivença e o Povo Tupinambá de Olivença. Aqui mesmo na internet é possível encontrar entrevistas, textos e informações alternativas aos que são contrários à Demarcação do Território Tupinambá.

Pensamos: o que incomoda o Jornal da Band e os contrários à Demarcação não é o reconhecimento étnico dos moradores de Olivença como Tupinambá, mas sim o direito ao Território Ancestral.

Deste modo, seria bom que o referido Jornal assumisse sua parcialidade e posturas para que seus leitores não leiam suas matérias como “retrato fiel da realidade”. Ou seja, deixamos uma sugestão: Jornal da Band faça como nós em nossos espaços da rede social – assuma suas posições e concepções.

Afinal, perguntamos: não é por acaso que a emissora carrega em sua denominação o nome Bandeirantes? Será que como os bandeirantes dos anos de colonização o Jornal da Band deseja criminalizar e demonizar os Povos Originários para depois justificar o massacre e a invasão de suas terras? Será que a Bandeirantes segue a trilha dos bandeirantes que na falta de esmeralda caçavam os Índios? Então porque tanta agressividade na matéria contribuindo com o preconceito, ódio, criminalização e violência contra o Povo Tupinambá?

Para finalizarmos, apesar da história nunca ter fim, deixamos uma foto do Gwarini Atã Índio Caboclo Marcelino que também foi criminalizado e preso entre as décadas de 1930-1940.

O Jornal o Estado da Bahia de 06/11/1936 colocava como destaque: “Era uma vez Caboclo Marcellino”. Porém, seu espirito guerreiro permanece presente. Na foto, tirada quando ele foi preso, aparecem da direita para a esquerda os Índios: Caboclinho, Marcionillo, Marcellino, Pedro Pinto e Marcos Leite.

Assim como Marcellino e seus Parentes resistiremos e cantaremos:

“senhor presidente
estas terras nos pertencem
nelas ensanguentaram e mataram
nossos Parentes”…

Awerê!


Esta matéria foi publicada originalmente na Rede Índios on Line - www.indiosonline.net

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Mostra Edgard Navarro do superoito ao superoutro


O CineFacom – Mostra Audiovisual dos Estudantes da UFBA exibe no próximo dia 12 de fevereiro (quarta-feira), às 19 horas, uma mostra com filmes do cineasta baiano Edgard Navarro. Serão exibidos quatro filmes, entre os quais o escatológico O Rei do Cagaço (1977) e o cultuado O Superoutro (1989).

PANORAMA HISTÓRICO: O CINEMA E AS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS



Fonte: http://cinemadesanto.blog.com/

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

REDD e PSA, o valor e o preço da natureza

Vídeo pedagógico produzido para o Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social a respeito da política de economia verde.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

FECIBA - Festival de Cinema Baiano abre inscrições para mostra competitiva em sua quarta edição


O FECIBA – Festival de Cinema Baiano – consolida-se como um evento dedicado à formação, exibição e debate sobre a produção audiovisual baiana.

Realizado desde 2011 em Ilhéus-BA, o FECIBA possui uma programação ampla e diversificada, exibindo cerca de 50 filmes nos formatos de curta, média e longa-metragem, buscando representar o que há de mais atual e o que faz parte da história dessa cinematografia. 

O FECIBA também é um espaçode encontroentre os realizadores e o público, por meio de debates que enriquecem as exibições e ampliam o repertório dos participantes, permitindo ao público entender sobre o processo de produçãoe criação, além de possibilitar ao realizador o contato com seu público. 

Formar e aperfeiçoar profissionais qualificados para o audiovisualé uma das metas do evento, que todos os anos promove 03 oficinas com profissionais reconhecidos pelo mercado. 

Mais de 6 mil pessoas já circularam nos dois anos de existência do FECIBA, mostrando assim a importância do evento, tornando-se dessa forma uma vitrine para que o grande público encontre suas raízes e veja suas histórias nas telas do cinema.






A Coisa Nostra - Episódio I: Na mansão dos Córdulas (Babi Jaques e Os Sicilianos)

"A Coisa Nostra" é uma micro-série de vídeos que tem o intuito de apresentar aos seres de todas as partes, a ilha de Nostrife. Através de um passeio pela tradicional música Nostrifense, o público poderá conhecer cenários e histórias desta fantástica ilha, que trafega pelo mundo sendo transportada por alguns de seus habitantes, uma trupe de mafiosos conhecida por Babi Jaques e Os Sicilianos.

Abrindo as portas de suas casas, Babi, Lasserre, Well e Baros, convidam todos a ligarem suas antenas mentais e adentrarem neste universo peculiar.

No primeiro episódio, a trupe apresenta a canção A Lágrima do Palhaço e a Mansão Córdula, fonte de todas as cores existentes em Nostrife.

"A Coisa Nostra" é dirigida pelo Poeta e Cineasta Wilson Freire e foi produzida pela Coisa Nostra Produções em parceria com a Candiero Produções Audiovisuais e com Macamba, da Vagalume Produtora.

O Baleiro Higiênico - Sangue de Barata TV


Pela cidade um baleiro vende um item um tanto inusitado.

O Menino e o Mundo

Texto do jornalista e crítico de cinema João Carlos Sampaio sobre o longa de animação O Menino e o Mundo, de Alê Abreu, que estreou esta semana em circuito nacional.

"O Menino e o Mundo" é o segundo longa-metragem da Filme de Papel, dirigido por Alê Abreu (Garoto Cósmico, 2008). Participações especiais de Emicida, Naná Vasconcelos, Barbatuques e GEM- Grupo Experimental de Música. Trilha sonora original de Ruben Feffer e Gustavo Kurlat.

Sinopse
Cuca é um menino que vive em um mundo distante, numa pequena aldeia no interior de seu mítico país. Certo dia, ele vê seu pai partir em busca de trabalho, embarcando em um trem rumo à desconhecida capital. As semanas que se seguem são de angústia e lembranças confusas. Até que, numa determinada noite, uma lufada de vento arromba a janela do quarto e carrega o menino para um lugar distante e mágico.

Visite o site do filme: http://omeninoeomundo.blogspot.com.br

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Trecho da Teia de Agroecologia no Assentamento Terra Vista

Trecho da Teia de Agroecologia no Assentamento Terra Vista em Arataca - BA, nos dias 19 e 20 de Outubro de 2013 Com a participação dos nossos Irmãos Indígenas, Quilombolas, Sem Terra e vários outros Parceiros... 
Todas as Fotos, vídeos e Edições foram feitas Pela Brigada de Audiovisual dos Povos. 
Todas as Edições foram feias no Cinelerra. 
Viva o software Livre, Viva a Liberdade de escolha e pensamento!!

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

CINECLUBE MOCAMBA APOIA A REALIZAÇÃO DA MOSTRA DE CINEMA NEGRO EM ITABUNA DURANTE O MÊS DA CONSCIÊNCIA NEGRA 2013

PRAÇA SANTA MARIA - BAIRRO MARIA PINHEIRO ITABUNA-BA 16 11 2013

 REALIZAÇÃO:
COLETIVO DE ENTIDADES NEGRAS DE ITABUNA
 PONTO DE CULTURA
ASSOCIAÇÃO DO CULTO AFRO ITABUNENSE
PROJETO ENCANTE
POVOS TRADICIONAIS DE MATRIZ AFRICANA

APOIO:
PREFEITURA MUNICIPAL DE ITABUNA
SECRETARIA MUNICIPAL ASSISTÊNCIA SOCIAL-SMAS
FUNDAÇÃO ITABUNENSE PARA CULTURA E CIDADANIA - FICC
CINE MOCAMBA
PROJETO LAIKOS
NUPROART
MOVIMENTO NEGRO UNIFICADO - MNU
POLÍCIA MILITAR

 APRESENTAÇÃO DE DANÇA, PERCUSSÃO E CAPOEIRA PROJETO...

CONEXÃO ASSOCIAÇÃO - II ENCONTRO DA UCCBA - ASSEMBLÉIA EXTRAORDINÁRIA DO CNC

DIAS 13 a 15.12.2013
LOCAL Centro de Formação da EBDA 

Endereço: Av. Dorival Caymmi, 15.649, 
Itapuã, Salvador Dia 13.12.2013 

CONEXÃO ASSOCIAÇÃO 

Programação 

9h00 Abertura - Resultados da Conferência Livre de Controle Social da Gestão Tributária. Apresentação Gleciara Ramos (Sindireceita) 
10h00 Rodas de Mapeamento - Levantamento das dificuldades na gestão, dividido em grupos de naturezas jurídicas afins. 
12h00 Intervalo almoço. 
14h00 Resultados do Mapeamento. 
15h00 Roda de Conversa: Aspectos jurídicos e legislativos para o associativismo: caminhos possíveis. 
Apresentação Dr. Samuel Vida (AGANJU) e Dep. Amauri Teixeira. 
17h00 Encaminhamentos práticos nos campos jurídico, legislativo e administrativo. 


Dia 14 e 15.12.2013
 
II ENCONTRO DA UCCBA 


DIA 14.12 
9h00 Abertura - Avaliação do trabalho da UCCBA: apresentação de projetos escritos e executados. 
11h00 Debate com o Colegiado Estadual de Audiovisual. Convidados Carolini Assis, Juca Fonseca e Gleciara Ramos. 
12h00 Intervalo Almoço 
14h00 Organização interna – debate de propostas de trabalho para as Frentes: 
GT1 – Comunicação; 
GT2 – Administração e Projetos; 
GT3 – Políticas Públicas; 
GT4 – Acervo e Difusão; 
GT5 – Formação e Produção. 
16:00 Assembleia Extraordinária do CNC – Conselho Nacional de Cineclubes 
20h00 Mostra A Bahia em curta-metragem. Debate com realizadores. 

DIA 15.12 
9h00 Plenária: - Apresentação das propostas de trabalho construídas no GT’s; 
- Revisão Estatutária. 
12h00 Intervalo Almoço. 
14h00 Eleição: - Representantes dos MacroTerritórios; 
- Representante Territorial de cada Frente. 
19h00 Mostra A Bahia em curta-metragem. Debate com realizadores. 


FICHA DE INSCRIÇÃO:

C0NEXÃO ASSOCIAÇÃO/II ENCONTRO DA UCCBA/ASSEMBLÉIA DO CNC

1- NOME: 
2- CINECLUBE: 
3- CIDADE: 
4- TERRITÓRIO DE IDENTIDADE: 
5- RG: 
6- CONTATO DE EMAIL E CELULAR: 
7- DIA E HORA DA CHEGADA: 

ATENÇÃO: CADA PARTICIPANTE DEVERÁ TRAZER SUA ROUPA DE CAMA E BANHO


1º CICLO BAIANO DE FORMAÇÃO EM AUDIOVISUAL

 
O Conselho de Comunicação Social da Bahia promove de 21 de Novembro a 18 de Dezembro, nas dependências da DIMAS – Diretoria de Imagem do estado, o Iº CICLO BAIANO DE FORMAÇÃO EM AUDIOVISUAL que tem como objetivo, apoiar a produção audiovisual independente, através do fornecimento gratuito de cursos e oficinas de aprimoramento profissional e artístico aos técnicos e realizadores audiovisuais, estimulando o meio profissional, difundindo e utilizando, desse modo, a tecnologia audiovisual no estado da Bahia.

O diagnóstico realizado no Setor Audiovisual do Estado da Bahia fez revelar que apesar de atuante, a produção deste segmento econômico-cultural na Bahia se apresenta extremamente carente de meios para sua operacionalização. Dessa forma, quando se propõem soluções para fomentar o setor, desenvolvendo-se e consolidando-se a atividade audiovisual, faz-se necessário o atendimento às demandas apresentadas, as quais, de forma resumida, configuram a realidade local, subdividida em áreas distintas, a saber: Área de Produção Audiovisual, Área de Exibição/Distribuição Audiovisual e Área de Formação. 

A partir de ações sugeridas pela Associação de Produtores e Cineastas da Bahia (APC-BA) em reuniões da Subcomissão de Audiovisual do Conselho de Comunicação da Bahia e aprovadas em plenária do referido conselho, fazemos esta proposta, assinalando a relevância do investimento na Área de Formação para tornar o segmento mais competitivo diante do cenário nacional, quando as ações devem ser direcionadas à capacitação de profissionais da base da cadeia produtiva, tais como: motion designers, editores, roteiristas, animadores, produtores, técnicos de áudio e vídeo, etc., mas também para promover as mudanças de posicionamento do mercado diante das novas possibilidades de distribuição e comercialização de produtos, ao tempo em que produtores executivos, captadores de recursos, planejadores de conteúdo, dentre outros profissionais, também necessitam de treinamento para adequação a uma nova realidade que se delineia. 

Manifesto Quilombo Lagoa Santa

 
Entre os dias 29 de outubro e 03 de novembro de 2013, reunimos no Quilombo Lagoa Santa, município de Ituberá, durante A Mostra Quilombo Incena e Fórum Baiano de Cinema Comunitário, o movimento cineclubista baiano, 3 núcleos do norte nordeste da Rede Mocambos (Estados Bahia, Pernambuco e Pará), Coletivo Nordeste Livre, Alumiar, Brigada de Áudio Visual dos Povos, Teia de Agroecologia e comunidades quilombolas baianas. Neste quilombo, ao vivenciar a cultura e a espiritualidade negra junto à linguagem estética do cinema numa perspectiva comunitária, queremos manifestar nosso protesto ao latifúndio do ar configurado pelo exercício da perversidade, pelo monopólio da verdade e dos recursos, geradores de invisibilidade e esquecimento. 

Não queremos o crescimento pelo desenvolvimento e sim o crescimento pelo envolvimento, já que o primeiro gera um desenvolvimento cultural de baixo conteúdo, sem potencia criativa e condições de sustentabilidade, e o segundo promove o envolvimento profundo com a bioenergia, a ancestralidade e o poder de nossa cultura promovedora de educação, humanização e dignidade. 

Nosso modo de vida negro, não separa militância de festa, por que na cosmovisão africana esses e outros elementos são uma coisa só, mas o nosso sistema de comunicação não toca nossa música, não exibe nossa história nos filmes, não gera referencia positiva para nossas crianças e jovens, pelo contrário, através do audiovisual e do rádio dominantes, reproduz o latifúndio e valores racistas, não reconhecendo a cultura como riqueza , inferiorizando-a como um não saber para eliminá-la. Os meios de comunicação convencionais promovem um desserviço às nossas festas, nossos brinquedos, aos mestres e mestras populares, nossa matriz africana. 

As tecnologias da comunicação e a linguagem do audiovisual devem ser popularizadas nas nossas comunidades para estar a serviço da atualização dos brinquedos culturais e seus saberes ancestrais colaborando com o avanço das pedagogias que influenciam na mudança da educação formal e informal. 

Só o povo pode resolver o problema do povo. As experiencias de comunicação comunitária de audiovisual e rádio são os nossos melhores caminhos para combater a dominação perversa de nossos meios de comunicação e iremos nos fortalecer por esse meio, seja tomando de assalto os nossos direitos e as rédeas de nossa comunicação, seja enfrentando a polícia que criminaliza nossa vida, nosso tambor, nossa comunicação. 

Atacamos assim, esse latifúndio em defesa da reforma do ar, para defender a popularização do acesso bens e serviços culturais, recursos financeiros, assistência técnica, condições de itinerância para que nossas experiencias de comunicação comunitária sejam fortalecidas e replicadas prioritariamente em periferias, quilombos, terreiros, aldeias e outras comunidades tradicionais diversas.

 Nossos filmes brasileiros precisam superar os “abortos de comunicação” frequentes em nossa cultura quando um filme é financiado com recurso público e não chega a ser visto pelo povo, numa lógica que não pode mais ser limitada ao mercado, mas ao potencial educativo, criativo e artístico que pode promover mudanças dos valores sociais. Não acreditamos no cinema comercial que está posto para distribuir o cinema brasileiro, os filmes brasileiros precisam ter outra lógica e dialogar com o seu povo. 

Mais do que isso queremos fazer nossos filmes numa perspectiva comunitária, formando editores nas comunidades, preservando nossa memória negra, um cinema do povo para o povo. 

Defendemos que a Secretaria de Audiovisual do Ministério da Cultura, bem como seu Conselho Consultivo, As Secretarias estaduais de Cultura e Comunicação, Institutos de Rádio Difusão, Colegiados e Setoriais de Audiovisual, superem o papel tão ínfimo no atendimento da comunicação comunitária, cumprindo seu dever diante das demandas das comunidades. 

Nós comunidades negras, quilombolas, indígenas, assentados, cineclubistas, povos de terreiros, ativistas culturais e sociais aqui reunidas, romperemos com a perspectiva de público passivo, para nos tornamos sujeitos de direitos ativos na descolonização do olhar para a leitura das imagens de mundo. 

Quilombo Lagoa Santa, 03 de novembro de 2013

Fonte: http://casadoboneco.blogspot.com.br/

sábado, 26 de outubro de 2013

Antes do Brasil, Cabo Frio, 1530 - Histórias do Brasil (1/10)


O primeiro episódio, Antes do Brasil -- Cabo Frio, 1530, mostra a necessidade e a fragilidade das relações humanas na nova terra. Acreditando tratar-se de um francês, um grupo de índios Tupinambás captura o alemão Franz Hassen. E como os franceses são considerados inimigos da tribo Tupinambá, o alemão pode ser devorado pelos índios. A única saída para Franz é convencer Pero Dias, um português ganancioso que vive entre os índios, a desfazer a confusão. A disputa por riquezas naturais e pela honra permeia a história de um povo feito de pessoas muito diferentes e isso é visível neste primeiro capítulo da série Histórias do Brasil.

Vídeo em solidariedade aos Tupinambás - Movimento Projeto Popular

O povo Tupinambá da região Sul da Bahia está sofrendo atentados por parte dos latifundiários, em virtude da demora do Ministério da Justiça em prosseguir com as etapas de demarcação o conflito tem sido intensificado: dois carros da Secretaria Especial de Saúde Indígena transportando doentes indígenas e não indígenas, inclusive crianças, foram queimados; veículo que transportava estudantes na Serra do Padeiro foi alvejado por pistoleiros ; outdoors com conteúdo falso e de cunho preconceituosos estão sendo espalhados pela cidade de Buerarema e região e as lideranças estão sendo criminalizadas.

A mídia está manipulando informações, criando um clima de guerra e perseguição contra os Tupinambás na região. "os latifundiários financiados por políticos ligados ao agronegócio e alguns comerciantes estão aterrorizando a população para criar um fato na mídia para inviabilizar a demarcação das terras indígenas. Cabe ressaltar que a legislação brasileira estabelece que os ocupantes não indígenas de boa fé devem ser reassentados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e receberem a indenização pelas benfeitorias, a serem pagas pela Fundação Nacional do Índio (Funai). 

Diferente do que é mostrado, os Tupinambás possuem uma relação amistosa com os movimentos sem terra atuantes na região e não tem como objetivo prejudicar os pequenos agricultores. Os Tupinambás não estão fazendo ações de invasão e sim de retomada das terras. 

Devemos pressionar a Presidente Dilma, o Ministério da Justiça, o Governo da Bahia - Jaques Wagner, para que solucione o problema e que garanta na integra a totalidade de suas terras, que corresponde a 47 mil hectares. Os Tupinambás precisam do apoio de toda população. O que está acontecendo é uma chacina e não podemos permitir que mais sangue seja derramado em nome da política ruralista e anti indígena.