Encontram-se abertas até o dia 10 de novembro, as inscrições para o 9º Concurso Beleza Negra de Itabuna. A informação é do ator Walmir do Carmo, membro da comissão organizadora do evento, integrantes dos festejos da Semana da Consciência Negra, que marca os 316 anos da morte de Zumbi dos Palmares.
“As candidatas, com idade a partir de 16 anos, deverão apresentar cópia da identidade ou outro documento com foto, comprovante de residência e uma foto 3X4. Menores apresentam atestados de consentimento de pai ou responsável”, acrescentou Walmir do Carmo. Maiores informais pelo telefone 8819-6934.
As inscrições podem ser feitas, em horário comercial nos seguintes locais: na sede da FICC-Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (praça Laura Conceição, em frente à Catedral de São José), Centro de Cultura Adonias Filho (Jardim do Ó), Sede da Oca (Rua Saturnino José Soares, bairro de Fátima), Encantarte (Escola Dom Ceslau Stanulla, no bairro Pedro Gerônimo) e Ponto de Cultura (rua Inglaterra, bairro São Judas).
Em homenagem ao Dia do Cinema Brasileiro, comemorado no próximo dia 5, a série Top 10 destaca, nesta quarta-feira (2), documentário, longas e médias-metragens baianos que fizeram história no cinema nacional e/ou internacional e compõem a lista dos filmes "que todo baiano tem que assistir".
Entre as produções audiovisuais selecionadas, estão: Redenção (1955), de Roberto Pires, primeiro longa baiano e pioneiro no Brasil ao utilizar o formato de tela 'esticada'; Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) eTerra em Transe (1967), de Glauber Rocha; Meteorango Kid - O Herói Intergalático (1969), o clássico do underground baiano, de André Luiz de Oliveira; Boi Aruá (1983), primeiro longa baiano de animação, de Chico Liberato; o média-metragem tragicômico SuperOutro (1989), de Edgard Navarro; além destes, também entram para a seleção produções como Cidade Baixa (2005); Ó Paí, Ó! (2007); Pau Brasil (2007), e o documentárioFilhos de João - O Admirável Mundo Novo Baiano (2009), que está em cartaz no Cinemark, em Salvador.
NovoCine promove Mostra de cinema brasileiro e convida o diretor soteropolitano Paulo Alcântara
Cena do filme Estranhos
O cineasta soteropolitano Paulo Alcântara está de malas prontas rumo à Espanha, onde vai exibir o seu longa-metragem Estranhos, na V Muestra de Cine Brasileño do NovoCine, em Madrid. O filme, que traz no elenco nomes do teatro baiano como Jackson Costa e Caco Monteiro, será visto em duas sessões: segunda-feira, dia 14 de novembro, às 19h, e quinta-feira, dia 17, às 21h30, na Sala Berlanga. No dia 14, antes da exibição, haverá um debate com Alcântara e Antonio Naharro, diretor do filme Yo También, produzido pela Imagem Promic.
Paulo Alcântara
Segundo a organização do NovoCine, um dos objetivos dos debates é unir o cinema brasileiro e o espanhol. Para isso, antes da exibição de todos os filmes, vai encontrar profissionais do audiovisual dos dois países, em uma discussão moderada pela curadora da mostra, Carla Guimarães.
No dia 15 de novembro, também haverá uma entrevista com o ator brasileiro Rui Ricardo Diaz, protagonista do filme Lula, o Filho do Brasil.
Estranhos
Sinopse: o longa traz um cantor de rua, uma ex-prostituta e seu marido ciumento, dois ladrões, uma professora e duas crianças. Todos estranhos. Todos no mesmo lugar. Cinco histórias que podem ser uma só: a busca daquilo que chamamos felicidade.
Dirigido por Paulo Alcântara
Elenco: Jackson Costa / Cyria Coentro / Nelito Reis / Ângelo Flávio / Caco Monteiro / Mariana Muniz / Agnaldo Lopes / Tom Carneiro / Jussara Matias / Tania Toko / Luis Pepeu / Jhoilson de Oliveira / Heduen Muniz / Larissa Libóri
Roteiro: Carla Guimarães e Santiago Roncagliolo
Produção Executiva: Solange Lima
Direção de Fotografia: Antônio Luis Mendes
Direção de Arte: Henrique Dantas
Montagem: Jaime Queiroz
Direção musical: André Moraes
Direção de produção: Amanda Gracioli e Maria Carolina
Produção de elenco: Lara Belov e Jamille Fortunato
Para o cineasta Pola Ribeiro, a Bahia tem tudo para fazer um cinema que dialogue com o mundo
O projeto de "Jardim das Folhas Sagradas" nasceu há 13 anos no coração de Pola Ribeiro, professor, cineasta e atual diretor do Instituto de Radiodifusão da Bahia (Irdeb). Trazendo temas polêmicos, mas importantes, o filme é o primeiro longa-metragem da carreira desse soteropolitano que ama as artes visuais.
Em "Jardim das Folhas Sagradas" é apresentada a incrível história de um bancário bem sucedido, que é casado com uma mulher de crença evangélica. O leitor pode até achar um tipo comum e sem problemas, mas Bonfim é negro e bissexual. Após um acontecimento trágico, o personagem recebe uma missão no Candomblé: fundar o terreiro Ilê Axé Opô Ewê.
O filme é resultado de uma ampla pesquisa de Pola e anos de dedicação. O orçamento final do filme ficou na casa dos R$3 milhões. "Não é um filme que fiz para ganhar dinheiro, mas um filme que espero que marque a sociedade", contou o diretor em entrevista.
No bate-papo, o cineasta, que está ansioso para ver a reação do público, falou um pouco sobre a produção do filme e explicou a escolha do elenco. Pola também contou que, nas próximas semanas, "Jardim das Folhas Sagradas" estreia em Brasília, Feira de Santana, Petrolina, Aracaju, Fortaleza, João Pessoa, Maceió, Recife, São Paulo e Rio de Janeiro. "É muito bom, mas toda essa repercussão ainda é uma surpresa para mim", revelou. Confira na íntegra a entrevista com Pola Ribeiro.
Como nasceu o projeto de "Jardim das Folhas Sagradas"?
É um projeto antigo. Há cerca de 13 anos estou trabalhando nele. Foi um período de pesquisa e entendimento, até decidir que isso era o que realmente queria fazer. Mas o momento chave, onde eu percebi que estava na hora de começar o filme foi quando uma atriz do Bando de Teatro Olodum disse que fazia um personagem muito difícil porque era invisível. E isso é verdade. Numa sociedade que abriga a maior comunidade negra fora do continente africano, o negro ainda sofre muito preconceito.
Quando começaram as gravações?
A execução do filme foi bem rápida. Gravamos entre agosto e outubro de 2006. O que realmente demorou foi a capitação de recursos e finalização. Nesse meio tempo assumi a direção do Irdeb, a convite do então secretário de cultura Márcio Meireles, e isso atrasou ainda mais a conclusão do longa. Mas o tempo foi um fator primordial para o resultado positivo do filme.
"Jardim das Folhas Sagradas" promove um debate sobre intolerância religiosa, preconceito racial e bissexualidade. Ao idealizar o filme, discutir esses temas era um dos seus objetivos?
Na verdade os temas foram surgindo no decorrer desses treze anos. São temas que os negros baianos sempre discutiram e eu descobri que também são debatidos em outras cidades brasileiras. São temáticas bem contemporâneas. Fui ouvindo, vivenciando e trazendo varias coisas para o filme, que apresenta mais de dez anos da vida do personagem principal.
Por que você escolheu essas temáticas tão polêmicas para o seu primeiro longa-metragem?
Gosto de fazer coisas que realmente me movam. Esse não é um filme que fiz para ganhar dinheiro, mas um filme que espero que marque a sociedade. Acredito que a grande polêmica é o preconceito velado, não assumido por parte da população. Estamos em uma cidade que tem uma grande parcela negra e as pessoas ainda têm muito preconceito. Queria trazer essa discussão.
"Jardim das Folhas Sagradas" reúne nomes como Harildo Deda e João Miguel. Como foi a escolha do elenco?
Parti do ponto que não queria um ator conhecido nacionalmente para dar vida ao personagem principal. Queria que o público começasse a conhecer o Bonfim ao longo do filme. Depois dessa escolha, trouxe o João Miguel. Acho ele extraordinário e ele assumiu o papel, que é diferente de tudo que ele já fez. Além deles, não dá para fazer um filme na Bahia sem Harildo Deda, entre outros.
Como é fazer um filme na Bahia?
É extraordinário. Temos excelentes atores, cenários belíssimos, figurino e músicos espetaculares. Além da história, da tradição cinematográfica que reúne nomes como Glauber Rocha e Roberto Pires. A Bahia tem tudo para fazer um cinema que dialogue com o mundo.
Como está a expectativa para a estreia em circuito comercial?
Estou um pouco louco porque estava previsto estrear com seis cópias em Salvador, mas essa semana descobri que seriam 10 salas de cinema. É muito bom, mas toda essa repercussão ainda é uma surpresa para mim. Estou ansioso para ver a reação do público nessa primeira semana.
Rede Nordeste do Livro, da Leitura e da Literatura
Integrando a programação da X Bienal do Livro da Bahia, o IV Fórum da Rede Nordeste do Livro, da Leitura e da Literatura acontece nesta sexta-feira, 4 de novembro, no Auditório Jorge Amado, do Centro de Convenções da Bahia. O fórum terá a participação de autores, editoras, escritores, bibliotecários, gestores municipais e estaduais e demais interessados da área, no intuito de discutir, atualizar e difundir a implementação dos Planos Estaduais do Livro, da Leitura e da Literatura nos nove estados nordestinos. Clique aqui para conferir a programação.
II Curta Goiamum Audiovisual
As inscrições para o II Curta Goiamum está com inscrições abertas. O evento, que será realizado de 5 a 10 de dezembro, no Palácio Potengi, em Natal (RN), tem como linhas essenciais para sua realização a exibição, formação e debate do público participante. As inscrições poderão ser feitas até o dia 10 de novembro e o regulamento encontra-se disponível no portal www.goiamumaudiovisual.org.br. O Goiamum Audiovisual é um dos 26 festivais filiados ao Festival de Atibaia Internacional do Audiovisual (FAIA).
Cadastro Nacional de Livros e Pontos de Vendas
O Cadastro Nacional de Livros e Pontos de Venda, realizado pela Fundação Biblioteca Nacional, já está no ar. O registro está aberto para editores interessados em comercializar livros, cujo preço final de venda ao consumidor não exceda o valor de R$ 10,00 (dez reais). Clique aqui e acesse o cadastro. A aquisição dos livros será feita por meio de ações de ampliação e atualização dos acervos de bibliotecas de acesso público. Clique aqui para mais informações.
Mais municípios nordestinos integram o SNC
Cinco municípios dos estados do Ceará, Paraíba, Sergipe e Bahia aderiram ao Sistema Nacional de Cultura (SNC). A integração desses municípios ajudaram o SNC a alcançar a marca de 650 municípios com acordos federativos firmados nacionalmente, representando quase 12% das prefeituras brasileiras. No Nordeste, 298 municípios já estão integrados ao Sistema, o que representa quase metade dos cadastros nacionais. A matéria na íntegra pode ser lida nohttp://culturadigital.br/mincnordeste. Para saber mais sobre o Sistema Nacional de Cultura, acesse: http://blogs.cultura.gov.br/snc.
Folclore e Tradição
Entre os dias 12 e 19 de novembro acontecerá o 32º Festival Internacional de Folclore, no Centro de Convenções de Pernambuco. O evento busca reunir a cultura tradicional e popular por meio do folclore e de apresentações de grupos de danças folclóricas nacionais e internacionais. Paralelamente, ao Festival, será realizada a 6ª Feira de Negócios do Artesanato de Pernambuco, e ainda, nos dias 16, 17 e 18 de novembro, a 1ª Conferência Internacional de Cultura do Cioff (Conselho Internacional das Organizações de Festivais Folclóricos e Artes Tradicionais), que terá como tema “Diversidade Cultural, Patrimônio da Humanidade, Direito de Todos”. Mais informações: http://www.festivalcioffbrasil.com.
Curta de Glauber Rocha, que originalmente fora encomendada por José Sarney em sua posse pelo governo do Estado do Maranhão em 66, que não foi utilizado para esse mesmo fim, por motivos óbvios.
ASSISTA AO VÍDEO – Na abertura do Seminário Mundial contra Belo Monte, o canto de resistência dos povos indígenas: UMA CONVOCAÇÃO À LUTA EM DEFESA DA FLORESTA, DOS RIOS E DA VIDA.
Kaiapó, Assurini/PA e TO, Krahô, Guajajara/MA-PA, Apinajés, Xicrin, Juruna, Arara, Amanauê, Guarani, Arawetê, Gavião, Mundurucu, Xipaia, Tupinambá, Tembé, Karajá.
Seminário Mundial contra Belo Monte – 25,26 e 27 de outubro de 2011
Videoclipe da música "Sistema de Doido" do cantor Sérgio Di Ramos com o ator Rogério Matos.
Lançando mais uma nova produção do Mondrongo, música do cantor Sérgio Di Ramos com o ator Rogério Matos, interpretando vários personagens. Todas as cenas foram rodadas na cidade de Ilhéus, no final de Julho.
Participações de Ely Izidro e Gilton Tomás. Uma realização do núcleo de produção aúdio visual do Teatro Popular de Ilhéus, Mondrongo. Roteiro e Direção, Romualdo Lisboa; Produção, Geisa Pena; Câmera, fotografia e edição, Hermilo Menezes; Iluminação, Ely Izidro; Cenotécnica, Elielton Cabeça; Contra-regragem, Ed Paixão.
Ilhéus e Itabuna terão duas sessões especiais do filme Capitães da Areia, inspirado no livro de Jorge Amado e dirigido por sua neta, Cecília Amado.
Em Itabuna, a exibição será no dia 7 de novembro, às 19h, no Centro Cultural Adonias Filho, em Ilhéus, começa às 19h, no Teatro Municipal.
Os realizadores do longa-metragem, incluindo a diretora, Cecília Amado, os atores que encarnam os personagens principais concederão entrevista coletiva nas duas cidades.
O filme faz parte das comemorações dos 100 anos de nascimento do escritor, que serão realizadas até agosto de 2012.
Entrevista com o diretor Edgard Navarro e os atores Bertrand Duarte e Ramon Vane sobre o longa- metragem O Homem que não dormia.
SiNOPSE
Alguns habitantes de um vilarejo remoto são acometidos pelo mesmo pesadelo. A chegada de um peregrino de origem misteriosa irá deflagrar o conflito interno em que vivem, determinando uma mudança radical em suas vidas.
João Cândido Felisberto, também conhecido como "Almirante negro" (Encruzilhada do Sul, 24 de junho de 1880 — Rio de Janeiro, 6 de dezembro de 1969) foi um militar brasileiro, líder da Revolta da Chibata (1910).
Nasceu em 24 de Junho de 1880, na então Província (hoje Estado) do Rio Grande do Sul, no município de Encruzilhada (hoje Encruzilhada do Sul), na fazenda Coxilha Bonita que ficava no vilarejo Dom Feliciano - o quinto distrito do Município Encruzilhada, que havia sido distrito de Rio Pardo até 1849. Filho dos ex-escravos João Felisberto e Inácia Cândido Felisberto, apresentou-se, ainda com treze anos, em 1894, na Companhia de Artífices Militares e Menores Aprendizes no Arsenal de Guerra de Porto Alegre com uma recomendação de atenção especial, escrita por um velho amigo e protetor de Rio Pardo, o então capitão-de-fragata Alexandrino de Alencar, que assim o encaminhava àquela escola. Em 1895 conseguiu transferência para a Escola de Aprendizes de Porto Alegre, e em dezembro do mesmo ano, para a Marinha do Brasil, na capital, a cidade do Rio de Janeiro.
Desse modo, numa época em que a maioria dos aprendizes era recrutada pela polícia, João Cândido alistou-se com o número 40 na Marinha do Brasil em Janeiro de 1895, aos 14 anos de idade, ingressando como grumete a 10 de dezembro de 1895.
Em depoimento para a Anamnese do Hospital dos Alienados em abril de 1911 e para a Gazeta de Notícias de 31/12/1912, João Cândido afirma ter sido soldado do General Pinheiro Machado, na Revolução Federalista, em 1893, portanto antes de entrar para a escola de aprendizes do Arsenal de Guerra de Porto Alegre.
Teve uma carreira extensa de viagens pelo Brasil e por vários países do mundo nos 15 anos que esteve na Marinha de Guerra. Muitas delas foram viagens de instrução, no começo recebendo instrução, e depois dando instrução de procedimentos de um navio de guerra para marinheiros mais novos e oficiais recém-chegados à Marinha.
A partir de 1908, para acompanhar o final da construção de navios de guerra encomendados pelo governo brasileiro, centenas de marinheiros foram enviados à Grã-Bretanha. Em 1909 João Cândido também para lá foi enviado, onde tomou conhecimento do movimento realizado pelos marinheiros russos em 1905, reivindicando melhores condições de trabalho e alimentação (a revolta do Encouraçado Potemkin, que virou filme do diretor Sergei Einsenstein em 1925).
Tornou-se muito admirado pelos companheiros marinheiros, que o indicaram por duas vezes para representar o "Deus Netuno" na travessia sobre a linha do equador, e muito elogiado pelos oficiais, por seu bom comportamento, e pelas suas habilidades principalmente como timoneiro. Era o marinheiro mais experiente e de maior trânsito entre marinheiros e oficiais, a pessoa indicada para liderar a revolta, na opinião dos demais líderes do movimento.
A Revolta da Chibata
O uso da chibata como castigo na Marinha brasileira já havia sido abolido em um dos primeiros atos do regime republicano, o decreto número 3, de 16 de Novembro de 1889, assinado pelo então presidente marechal Deodoro da Fonseca. Todavia, o castigo cruel continuava de fato a ser aplicado, a critério dos oficiais da Marinha de Guerra do Brasil. Num contingente de 90% de negros e mulatos, centenas de marujos continuavam a ter seus corpos retalhados pela chibata, como no tempo da escravidão. Entre os marinheiros, insatisfeitos com os baixos soldos, com a má alimentação e, principalmente, com os degradantes castigos corporais, crescia o clima de tensão.
Já em 1893, na canhoeira Marajó, um contingente de marinheiros havia se revoltado contra o excesso de castigos físicos, exigindo a troca do comandante que abusava da chibata e outros suplícios. Na época, ainda não queriam o fim da Chibata, mas a troca do comandante do navio, para evitar abusos. Definitivamente, não era normal receber chibatadas. E, para piorar, os oficiais extrapolavam o limite de próprio regimento da Marinha, baseado num decreto que nunca foi publicado no Diário Oficial, que estabelecia a criação de Companhias Correcionais que poderiam indicar a punição de até 25 chibatadas, mesmo após a Abolição da Escravatura.
Ainda na Grã-Bretanha, e depois, ao retornarem ao Brasil, os marinheiros que lá estiveram para acompanhar a construção dos encouraçados Minas Gerais e São Paulo, e do cruzador Bahia, iniciaram um movimento conspiratório com vistas a tomar uma atitude mais efetiva no sentido de acabar com a Chibata na Marinha de Guerra do Brasil.
As eleições presidenciais de 1910, embora vencidas pelo candidato situacionista marechal Hermes da Fonseca, expressaram o descontentamento da sociedade com o regime vigente, além das denúncias de fraude e violação de urnas nos bairros em que ele não tinha maioria de simpatizantes. O candidato oposicionista, Rui Barbosa, realizou intensa campanha eleitoral, reforçando a esperança de transformações do povo brasileiro.
Esgotadas as tentativas pacíficas e propositivas dos marinheiros, incluindo uma audiência de João Cândido no Gabinete do presidente anterior, Nilo Peçanha, e na presença do ministro da marinha, Alexandrino de Alencar sem qualquer providência efetiva para o fim dos castigos físicos, os marinheiros decidiram que iriam fazer uma sublevação, uma revolta pelo fim do uso da chibata em 25 de Novembro de 1910. Inicialmente os comitês revolucionários pensaram no dia 14, depois dia 15, depois 19, e por fim fixaram o dia 25.
Entretanto, menos de uma semana após a posse do marechal Hermes da Fonseca, o marinheiro Marcelino Rodrigues de Menezes foi punido a 21 de Novembro com 250 chibatadas, que não se interromperam nem mesmo com o desmaio do mesmo, conforme noticiado pelos jornais da época, aplicadas na presença de toda a tripulação do Encouraçado Minas Gerais, nau capitânia da nova Esquadra. Este fato antecipou a data programada de 25 para 22 de Novembro de 1910. Seria na noite deste dia porque o comandante do navio Minas Gerais, o Capitão João Batista das Neves, dormiria fora do navio, e então os marujos tomariam posse das armas, dominariam os oficiais em seus camarotes, e teriam o controle do navio mãe, e depois de todos os demais que estavam na Bahia da Guanabara. Entretanto o comandante Batista das Neves voltou mais cedo do que eles esperavam, e um marinheiro mais descontrolado partiu para cima do oficial de serviço, pois não queria mais o adiamento da revolta. O comandante ouve os barulhos, assim como os outros oficiais e todos vêm para o convés. Mesmo aconselhado pelo marinheiro Bulhões a se abrigar, Batista das Neves, se recusa a sair dali, e diz que não sairá de bordo do navio, insistindo em tentar fazer os marinheiros formarem e obedecerem às suas ordens. Os marinheiros já muito exaltados, ao ver que o comandante fere um dos marinheiros, começam a jogar objetos nele, e por fim um marinheiro dá um tiro na cabeça dele. Morrem no Minas Gerais além do comandante, mais dois oficiais (tenente para cima) e 3 praças (sargento para baixo, na simplificação usual).